CONTABILIDADE AMBIENTAL

A Contabilidade surgiu com a necessidade de se quantificar a riqueza. Acompanhou a evolução do mundo, adaptando seus conceitos e padronização à era da produção artesanal, mercantilista, revolução industrial e, por último, da globalização.

Na seqüência destes acontecimentos, apresenta-se um fenômeno que pode ser considerado o produto de uma conseqüência natural do desenvolvimento, e que também requer atenção da classe política e sociedade civil em todo o mundo.

A rigor, apesar de todos os avanços, a filosofia administrativa adotada pela maioria das empresas não funciona adequadamente mais no mundo atual. Muito mais do que uma gestão que se preocupe com recursos humanos e tenha sua meta voltada única e exclusivamente para o aperfeiçoamento de seus produtos e serviços, precisamos de uma administração com visão holística de todos os fatores que circundam sua atividade.

O ponto falho é que a exploração desordenada da atividade econômica vem sistematicamente causando prejuízos irreparáveis ao planeta. Os danos podem ser sentidos desde a crescente ocorrência de fenômenos naturais (aquecimento da superfície da terra com conseqüente diminuição das geleiras nos pólos, aumento da camada de ozônio, furacões, terremotos, enchentes, nevascas, secas prolongadas etc.); a constante preocupação demonstrada pelas Nações Unidas em suas Reuniões Ecológicas (Estocolmo – 1972; Rio de Janeiro –1992; II Cimeira da Terra – 1997; e a próxima, possivelmente em 2002, na África do Sul); e, por incrível que pareça, o descaso sobre o entendimento da urgente necessidade de preservação por parte das nações tidas como desenvolvidas, por sinal, as que mais poluem.

Este cenário vem demandando mobilização dos setores produtivos da sociedade, no sentido de buscar mecanismos visando estabelecer um nível de equilíbrio entre o desenvolvimento sustentado, sem prejuízo para o eco-sistema.

A Contabilidade Ambiental, Contabilidade Ecológica ou Contabilidade Aplicada ao Meio Ambiente etc., como vem sendo rotulada ultimamente, é mais uma evolução sobre a qual os estudiosos da contabilidade tem voltado suas atenções. O ponto básico é estabelecer, mediante interação com as outras ciências envolvidas, mecanismos que permitam a identificação, mensuração, registro, demonstração e análise dos fatos que se refiram às relações ambientais.

O seguimento contábil, atento à deslinde da causa ambiental, tem produzido os mais variados estudos visando quantificar e valorizar os efeitos dos danos, no sentido de ajudar a se chegar a um ponto de equilíbrio na questão. Atualmente os danos causados ao meio ambiente já são investigados em várias Nações e as informações contábeis são utilizadas na identificação e evidenciação de tais fatos.

Sob o ponto de vista acadêmico, a literatura contábil já tem suas definições sobre a terminologia ambiental:

Ativo Ambiental: Compreendem os investimentos que a empresa possui, destinados à proteção, preservação e recuperação ambiental. Podemos considerar, também, o valor invisível decorrente da boa imagem da empresa junto à comunidade, devido à sua política de respeito ao meio ambiente.

Passivo ambiental: Todas as obrigações decorrentes de aquisição de bens destinados à proteção, preservação e recuperação ambiental. Podemos considerar, também, apesar da sua avaliação um tanto quanto subjetiva, o impacto futuro decorrente dos delitos ecológicos praticados durante o desenvolvimento da atividade.

Custo ambiental: Todo o esforço despendido, bem como o registro da utilização (depreciação/amortização) dos investimentos na proteção do meio ambiente.

Receita ambiental: Todo o ganho de mercado que a empresa passa a auferir a partir do momento em que a opinião pública reconhece sua política preservacionista e der preferência aos seus produtos.

Para se chegar ao balanço ambiental, se faz necessário isolar os valores mediante a criação de codificação específica para o registro dos fatos relativos somente à gestão ambiental.

Quanto à forma de divulgação, enquanto não tivermos obrigatoriedade legal sobre o tema, deve-se adotar uma das seguintes premissas:

a) Apresentar as informações no modelo do Balanço Social do IBASE – Instituto Brasileiro de Análise Social e Econômica (entendemos ser muito simplificado).

b) Apresentar junto com as demais demonstrações financeiras, em formato mais analítico, um relatório específico das operações relacionadas à gestão ambiental.

c) Incluir os dados nas atuais demonstrações, mantendo o atual padrão, apresentando os efeitos em uma Nota Explicativa.

Objetivamente, podemos dizer que a Classe Contábil, preocupada com a preservação do mundo em que vivemos e, atenta à sua Responsabilidade Social, continuará estudando, mensurando e formatando o tema. Conseqüentemente, ampliando a qualidade e quantidade das informações prestadas aos seus Usuários.

 

 

Publicação: IOB Comenta, 1ª semana, dez/01.