É  T  I  C  A

Prof. Eliseu Martins

 

Escrever sobre Ética é muito mais difícil do que escrever sobre qualquer assunto técnico em Contabilidade.

Não há sociedade que progrida com firmeza por muito tempo, que se mantenha politicamente consistente, que ofereça bem-estar social a seus membros, nem profissão que se imponha pelo produto de seu trabalho, que angarie respeito de todos, que se faça reconhecer por seus próprios méritos, sem que esteja a Ética a servir de cimento a fortalecer sua estrutura, de amarras a suportar as tempestades, de alicerce a suportar o crescimento e de raízes e seiva para garantir a sobrevivência dessa sociedade ou dessa profissão. Sem Ética, a sociedade não se estrutura de forma permanente; e uma profissão também não.

A força da Ética se faz absolutamente necessária na relação de duas pessoas, na estrutura familiar, no relacionamento dentro de uma comunidade religiosa, esportiva, cultural, empresarial, militar ou qualquer outra. Até comunidades criminosas só sobrevivem por longo tempo quando, infelizmente, conseguem fazê-la prevalecer (a seu modo, é claro).

O estudo (bem como a observação e a prática) da Ética de forma geral, e o de sua aplicação ao exercício de uma profissão em particular, precisa receber maior atenção na educação e na formação de todo estudante; e isso se aplica muito especialmente à formação do Contador.

A Contabilidade está sempre inserida no meio de agentes com interesses conflitantes; ora, está no meio da disputa entre o fisco e o contribuinte, ora entre os sócios, ora entre a empresa e seus empregados, entre o chefe e seus subordinados, entre os proprietários e os administradores, entre os concorrentes etc.

Seu produto, a informação para o controle, para a avaliação de desempenho e para decisão, é cada vez mais relevante e, por causa disso, maiores tendem a ser as pressões sobre o Contador por parte de seus tão diferentes e, comumente, conflitantes, usuários. Daí a necessidade de um comportamento ético a servir, a par do conhecimento técnico propriamente dito, de inabalável esteio ao exercício dessa sofrida profissão.