Resumidamente, poderíamos dizer que no início houve uma fase empírica. Após, alguns fatos ocorreram e contribuíram para o desenvolvimento: surgimento da Moeda, dos Números, da Imprensa, Revolução Industrial e, atualmente, a era do conhecimento (da tecnologia). Entretanto, valendo-se da rica e extensa gama de registros históricos e, sem a pretensão de conseguir ordenar todos os fatos, apresentamos, como o título sugere, este “resumo” de uma grande linguagem universal. A  Contabilidade.

 

 A história da antigüidade contábil, vai de 6000 a.C. até o ano de 1202 de nossa era. Este período corresponde à fase empírica da Contabilidade e, por isso, é também chamada de empirismo contábil.

Pelas pesquisas desenvolvidas, no sentido da interpretação das mais rudimentares formas do registro, cuja  mais antiga, se acredita seja originária do homem das cavernas, em época que marca o início da vida do ser humano.

Em pesquisas realizadas em diversas grutas de formação geológica antiqüíssimas, foram localizadas as primeiras formas de registros através das inscrições que desejavam perpetuar algum acontecimento através de sua configuração.

Não resta dúvida alguma que os recursos do homem em tão remotas épocas eram precários e portanto, também, rudimentares;

sendo as modalidades de ação intelectual àquela época.

Todos os esforços dos estudiosos, entretanto, tem sido desenvolvidos no sentido de acompanhar a história do registro da riqueza desde os mais remotos tempos; de acordo com as pesquisas realizadas até então, se acredita que a inscrição mais antiga tenha sido feita pelo homem a aproximadamente 6000 a.C.

O nascimento da Contabilidade haveria de ser, portanto, através de registros de fatos isolados, que no correr do tempo iam-se relacionando com outros, atingindo maior complexibilidade até que chegasse às conquistas de que hoje desfrutamos.

Na civilização da Babilônia encontrou-se documentos em escrita cuneiforme realizada em placas de argila. Nestas placas notava-se que a escrituração era feita através da evidenciação direta do objeto e a sua quantidade. 

O que mais se encontrou nessas placas foram registros que evidenciavam controle sobre: pagamentos de animais empregados no cultivo da terra, registros referentes a bens de consumo ou de sacrifício, etc.

O primeiro grande passo, todavia, dentro da ciência contábil, seria dado com a criação do Memorial, que mais tarde receberia o nome de Diário. O memorial era formado de folhas de papiro nas quais se transcrevia os registros sintéticos das placas de argila.

O segundo grande passo foi dado dentro da Babilônia com a prática dos balanços, que eram realizados com certa freqüência. Foi também a Babilônia que nos legou o primeiro sistema de custos. 

Todas as placas e escritos que comprovam a “Contabilidade dos Sumérios e Babilônicos”, foram encontrados nas cidades de Lagash, Drehen, Nippur e Ur.

Os assírios não nos legaram muitos documentos  comprobatórios da sua escrituração, todavia, pelos poucos que se tem, conseguiu-se notar que quase tudo legaram dos sumérios e dos babilônicos.

A Contabilidade, segundo alguns, todavia, teve seu maior impulso na Ilha de Creta, devendo-se isto a uma civilização denominada civilização minóica.

Os egípcios nos legaram muitos documentos que puderam comprovar a adoração daquele povo pelo controle do que tinham e do que deviam. Os egípcios, através de seus documentos, nos permitiram notar quão grande era o número de contas utilizadas por eles na sua escrituração.

Por volta de 1322 a.C. no Egito, sob o governo de Sesóstris, a escrituração era feita pelos “escribas”.

O povo que mais legou à posteridade elementos sobre a antigüidade foi o povo helênico. O mais antigo documento da escrituração efetuada pelos gregos e que chegou até os nossos dias data de 454 a.C.

Na Grécia, com a organização do Estado e das famílias e a administração dos patrimônios, tornou-se necessária a escrituração para a regularidade das operações que era praticada pelo “logóteta”, espécie de contador e pelos “logógrafos”, espécie de guarda-livros.

O governo da Grécia Antiga, fornecia ao povo uma relação das contas do Império através da escrita em mármore, que por sua vez era exposta em logradouros públicos.

Os romanos também tinham escrita contábil, como se pode facilmente notar através das alusões feitas por diversos autores latinos.

Sabe-se através de documentos que os livros mais usados pelos latinos foram o Codex Rationum (destinado aos registros informais e simples como o Borrador).

O contador dos romanos chamava-se “Ratiocinator” e gozava de grande prestígio entre seu povo.

A Idade Antiga da Ciência Contábil, tem seu término com a obra de Leonardo Fibonacci, denominada Liber Abaci.

A Contabilidade foi evoluindo lentamente, até que por volta de 1494 apareceu em Veneza um livro denominado “Summa de Arithmética, Geometria, Proportioni et Proportionalitá”, de autoria de um frade franciscano chamado Luca Paciolo, nascido em San Sepolcro, na Toscana, entre 1445 e 1450, tratando do método das Partidas Dobradas, sob título de “Tractatus de Computis et Scripturis”. (apenas para situarmo-nos na história, cabe aqui registrar que, Pacioli e Leonardo da Vinci foram amigos e compartilharam estudos e  experiências acadêmicas).

            

 Logo após Pacioli, o primeiro autor a cuidar do assunto foi Gian Francesco, em cujo  livro, publicado em 1516, sob o título “Arithmética”, dedicou uma parte à escrituração.

Na Alemanha, as Partidas Dobradas foram introduzidas por uma tradução da obra de Domenico Manzoni, Quaderno Doppio col suo Giornale Secondo il Costume de Venetia, em 1534.

Na Inglaterra,  a obra de Pacioli foi traduzida por Hugh Oldcastle, professor de escrituração mercantil em Londres, em 1534.

Na França também foi traduzida a obra de Paciolo em 1543 pelo comerciante holandês Jan Ympin Christoffels.

Em 1586 a Contabilidade teve um grande avanço, quando Angelo Pietra levou a Partida Dobrada para o campo das entidades uma vez que, até então tinha sido aplicada apenas no comércio.

Um dos melhores  trabalhos  da época foi publicado na Holanda, é de autoria de Simão Stevin que, em 1607, como administrador do Príncipe Maurício de Nassau escreveu um livro que recebeu o nome de Tratado de Escrituração para Príncipes à Maneira da Itália.

Na Austrália, o primeiro método  adotado foi conhecido com o nome de “Método Cameral”.

No Brasil, o método das Partidas Dobradas foi oficialmente adotado em 1808, por mando de D. João VI.

Dois grandes períodos viveria a Contabilidade, de 1800 a 1840, e de 1840 em diante.

Logo no início do século XIX, Niccoló D’Anastásio escreve um livro que pretendia dar cunho científico à Contabilidade, e, embora não o conseguisse totalmente, foi um dos mais brilhantes ensaios que se nota no setor.

Foi ele também o primeiro a ensaiar uma teoria Materialista das Contas, abandonando o Personalismo até então proclamado desde o século XV.

Opera-se, entretanto, em 1840 a grande transformação de nossos roteiros de estudos, penetrando a Contabilidade nos terrenos científicos através da obra de um ilustre estudioso, de origem humilde – Fancesco Villa.

Em Julho de 1840 e fevereiro de 1841, sob o título “Lá Contabilitá Applicata Alle Amministragioni Private e Publiche”, Francesco Villa fez publicar dois notáveis volumes com os quais concorreu ao concurso instituído pelo Governo da Áustria,  para a melhor obra sobre Contabilidade, e o mérito inegável de sua obra deu-lhe a vitória.

A História Moderna da Contabilidade vai de Pacioli (1494)  até a revolução industrial (1840).

Foi em 1840, que foi reconhecida em toda a Europa a profissão de Contador, sendo também neste ano que se criaram os primeiros Colégios de Contabilidade.

Depois de Villa, vários ilustres estudiosos sobressaíram-se: Francesco Marchi, Giuseppe Cerboni, Giovani Rossi e Fábio Besta.

Fábio Besta fez uma explanação de toda sua teoria em sua obra “La Regioneria” (a contabilidade) em três volumes.

No século XX, na Itália,  por volta de 1926, duas novas correntes são estabelecidas, ambas oriundas das idéias de Fábio Besta: o Aziendalismo de Gino Zappa e o Patrimonalismo de Vicenzo Masi. Na Alemanha, surgiram Schmalembach e Fritz com trabalhos envolvendo problemas de variações de preços. Nos Estados Unidos, nesta mesma época ganharam notoriedade os autores: Hatfield, Littleton, Anthony e Edwards com obras de grande impacto no campo contemplado pela atuação  do saber contábil. Na Holanda e em outros países nomes que engrandeceram essa disciplina também surgiram.

Atualmente, em plena história contemporânea da Contabilidade, como resultado do avanço do conhecimento e do desenvolvimento dos seguimentos produtivos da sociedade moderna, houve  necessidade de desenvolvimento de novos mecanismos de controles, mensuração e informações para avaliação de desempenho e tomada de decisões.

 

 No Brasil e, em tempos de economia globalizada, estes avanços não passaram desapercebidos pelos órgãos: CFC - Conselho Federal de Contabilidade; IBRACON – Instituto Brasileiro de Contadores; CVM – Comissão de Valores Mobiliários; dos Conselhos Regionais de Contabilidade e dos Sindicatos e Associações da Classe. Por fim, não poderíamos deixar de mencionar o legado das Personalidades ligadas à disciplina, apenas para citar alguns: Francisco D`Auria, Hilário Franco, Frederico Herrmann Junior, Antonio Lopes de Sá, Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, José Carlos Marion, Silvio Aparecido Crepaldi, Osni Moura Ribeiro e tantos outros expoentes, que tanto enaltecem e enobrecem a classe contábil brasileira.

   

Atualmente, a Contabilidade figura em meio às outras disciplinas do saber humano, sobressaindo-se pelo valor de suas pesquisas, seus estudos, contribuições à sociedade e, pela rapidez com que são enfrentados e formatados os temas emergentes ”.

 

 

 

Publicação: IOB Comenta, 4ªsemana, set/01.